SARAMPO NO BRASIL – Julho de 2018

Sarampo no Brasil

Em 14/07/2018

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde (MS), até o momento, foram confirmados mais de quatrocentos casos de sarampo nos estados do Amazonas e Roraima; seis no Rio Grande do Sul; um em São Paulo; um em Rondônia e dois no Rio de Janeiro. Dezesseis casos suspeitos estão em investigação no estado do Rio de Janeiro, dois no Mato Grosso e um na Paraíba.  

A baixa cobertura vacinal em crianças e adultos, somada a essa situação epidemiológica, coloca em risco a erradicação do sarampo no nosso país e nas Américas. 

O sarampo é uma doença grave que, antes de seu controle através da vacinação em massa de crianças, era uma das principais causas de mortalidade infantil, além de sequelas permanentes. Naquela época, eram raros os casos entre adultos, já que a maioria adoecia na infância. Hoje, a maioria dos adultos com menos de 50 anos não teve sarampo e, se não vacinados, podem adoecer. Por esse motivo, a prioridade do MS é a vacinação de todos até 49 anos.

Em 1992, o MS criou o Plano Nacional de Eliminação de Sarampo, tendo como marco uma grande campanha de vacinação (com a vacina sarampo) da população entre 9 meses e 14 anos de idade, o que resultou em uma redução de 81% na incidência da doença. No entanto, a rotina na época era a aplicação dessa vacina em dose única aos 9 meses de idade, dose que não protege para toda a vida.

Entre 1992 e 2002, a formulação isolada da vacina foi sendo substituída, gradativamente, pela vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) até que, em 2003, foi finalmente descontinuada, sendo definitivamente substituída pela tríplice viral na rotina de vacinação. Somente em abril de 2004, a vacina tríplice viral passou a ser recomendada no esquema de duas doses, a partir dos 12 meses de idade. A vacinação de adultos de até 49 anos de idade, também, passou a ser recomendada nos calendários de vacinação do PNI, e não mais apenas em campanhas, no entanto a adesão está longe de ser a necessária.

 O SARAMPO

 O sarampo é uma doença altamente contagiosa. Estima-se que nove em cada dez pessoas, não adequadamente vacinadas (com menos de duas doses aplicadas após a idade de 12 meses) e que partilham um espaço com uma pessoa infectada, contraem a doença.

A transmissão se dá por via respiratória (através da tosse ou espirros, contato com a saliva ou secreções nasais de uma pessoa infectada), mas, também, pelas mãos ou superfícies contaminadas. O período de transmissão ocorre entre quatro dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas até quatro dias depois do surgimento das erupções cutâneas.

Quadro Clínico:  Os sintomas do sarampo aparecem de 10 a 14 dias, após o contato com o vírus. O quadro se inicia pelo chamado período prodrômico com duração de 3 dias, caracterizado por febre, tosse, coriza, conjuntivite com fotofobia e lacrimejamento. No final dessa fase, podem ser visualizadas as manchas de Koplik (pontos brancos com halo vermelho) no interior da boca, que desaparecem 24 a 48 horas após o início do exantema (erupções cutâneas vermelhas). No quarto dia, surge o exantema que se inicia na região retroauricular e se espalha pelo corpo no sentido descendente e, em 3 dias, atinge todo o corpo, concomitante com a piora do quadro de prostração. O quadro, quando não complica, dura cerca se 10 a 12 dias.

Complicações: Febre por mais de três dias após o aparecimento do exantema é um sinal de alerta e pode indicar o aparecimento de complicações, como infecções respiratórias (inclusive pneumonia), otites, doenças diarreicas e neurológicas, como a encefalite, que podem ocorrer mesmo após o 20º dia. A panencefalite esclerosante subaguda (PESS) é uma doença neurodegenerativa fatal, que pode desenvolver-se 7 a 10 anos após a infecção pelo vírus do sarampo, é caracterizada por deterioração intelectual, convulsões, mioclonias e evolui para descerebração espástica e morte.

Tratamento: Não existe tratamento específico para o sarampo. Cuidados de suporte são orientados pelo médico.

VACINAÇÃO

 Considera-se adequadamente vacinado, o indivíduo de qualquer idade que comprove duas doses da vacina tríplice viral, aplicadas a partir de um ano de idade, e com intervalo mínimo de um mês entre elas.  A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda duas doses da tríplice viral para pessoas suscetíveis de qualquer idade.

O MS, através do Programa Nacional de Imunizações (PNI), disponibiliza duas doses para pessoas de 1 a 29 anos de idade e uma dose para aquelas entre 30 e 49 anos, e não vacina maiores de 50 anos. Essas recomendações, a partir dos 30 anos, diferem daquelas da SBIm. Trata-se de estratégia de saúde pública, que prioriza as faixas etárias mais suscetíveis. Considera que, maiores de 50 anos, muito provavelmente, tiveram a doença no passado. A vacinação de 95% da população até 29 anos permite a proteção coletiva, inclusive dos raros maiores de 50 que não tiveram sarampo.

 De 6 a 31 de agosto de 2018, o MS realizará a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e contra o Sarampo. A população alvo da campanha serão as crianças 1 a 4 anos, correspondendo a 11.213.278 crianças. A meta mínima a ser alcançada corresponde a 95% de cobertura vacinal contra poliomielite e sarampo.

Nessa campanha, os pais e responsáveis são atores sociais importantes no processo de manutenção da eliminação dessas doenças e devem comparecer aos serviços de vacinação com suas crianças.

 RESPOSTAS PARA ALGUMAS DÚVIDAS COMUNS

Pessoas vacinadas contra o sarampo na infância estão protegidas do sarampo?

Apenas aquelas que têm comprovante da aplicação de duas doses das vacinas contra o sarampo, dupla ou tríplice viral, depois dos 12 meses de idade, são consideradas protegidas. Importante lembrar que a aplicação da vacina tríplice viral visa, também, a manter a rubéola e a rubéola congênita erradicadas e a caxumba controlada. Dessa forma, mesmo aqueles vacinados contra o sarampo com a vacina do sarampo ou dupla viral, beneficiam-se da aplicação da tríplice viral.

Quem não tem o comprovante de vacinação deve se vacinar?

Sim. Não existe contraindicação para doses excedentes: na falta de comprovação de duas doses prévias, duas doses devem ser recomendadas e não trarão risco à saúde.

Quem tem o comprovante da aplicação de uma dose há muito tempo precisa tomar duas doses?

Não. Nesse caso, apenas uma dose é necessária.

 Quem não tem certeza se teve sarampo pode se vacinar?

Sim. Diante dessa dúvida e se não tem comprovante da vacinação, deve receber duas doses.

Crianças com menos de 12 meses de idade podem se vacinar?

Em caso de contato próximo com pessoa com suspeita de sarampo, a vacina deve ser recomendada para bebês entre 6 e 12 meses de idade. Nesse caso, essa dose deve ser desconsiderada e outras duas doses devem ser aplicadas aos 12 e 15 meses de idade.

Quem não pode se vacinar?

A vacina é contraindicada para gestantes e imunodeprimidos. Alergia a ovo não contraindica a vacina tríplice viral: a quantidade de ovoalbumina contida não é suficiente para desencadear alergia.  A maioria das vacinas tríplices virais disponíveis no Brasil não contêm lactoalbumina e, portanto, não são contraindicadas para quem tem alergia à proteína do leite. Apenas a vacina produzida pelo laboratório Serum, da Índia, uma das disponíveis na rede pública, está contraindicada para alérgicos à proteína do leite de vaca.

Mulheres amamentando podem se vacinar?

Sim. A vacinação contra sarampo não é contraindicada em mulheres amamentando, independentemente da idade do bebê.

Maiores de 50 ou 60 anos de idade podem se vacinar?

Sim. Não há contraindicação para essas faixas etárias.

 Dra. Isabella Ballalai

Diretora Médica – URMES

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