Como escolher a Escola de seu filho

Não se engane
Veja os enganos mais comuns cometidos pelos pais

da Folha de S.Paulo

Um dos maiores equívocos cometidos pelos pais na escolha da escola, segundo os especialistas, é optar pela que tem “grife” (frequentada pela elite intelectual e/ou social e vista como instituição de ensino forte e de métodos diferenciados).

O que precisa ser avaliado, diz Rosely Sayão, é se o projeto educativo é bom para a criança em questão. Uma escola de disciplina muito rígida, que impõe distância no relacionamento com a criança, por exemplo, não será recomendada a uma criança acostumada a ter sempre muito diálogo com os adultos. Uma carga intensa de conteúdo e lições de casa pode não ser acompanhada pela criança. Ou seja: o perfil do aluno deve ser considerado sempre.

Pais costumam adorar escolas que oferecem cursos de complementação -de línguas e artes, por exemplo. Eles são positivos, diz a psicopedagoga Glaura Fernandes, mas “desde que a carga horária não seja excessiva”.

No ensino médio, impor uma escola ao adolescente é um erro. A opinião dele deve ser levada em conta.

Outro equívoco: guiar-se pela objetividade e praticidade do mundo atual e escolher uma escola pela localização, diz Sayão. A adequação dos métodos pedagógicos vem em primeiro lugar.

Quanto à participação da família na vida escolar, é importante ser uma mãe ou um pai presente e interessado nos estudos do filho, mas a confiança na escola é primordial.

Segundo o educador Julio Aquino, passar o tempo todo questionando a habilidade dos professores, os métodos pedagógicos e as decisões da escola é um erro comum de pais, principalmente nas escolas particulares. “A palavra mágica é delegar”, diz Aquino, “porque os efeitos não são imediatos, levam um certo tempo para aparecer”. 

Escola: como escolher

Combine fatores na hora de decidir

Não há uma fórmula infalível. A escolha da escola certa para o seu filho depende de uma série de fatores, que devem ser combinados.

da Folha de S.Paulo

Não há uma fórmula infalível. A escolha da escola certa para o seu filho depende de uma série de fatores, que devem ser combinados. A opção vai depender essencialmente dos valores da família e das características individuais de cada filho.

Os 12 tópicos citados abaixo tentam deixar claro aos pais sobre quais questões eles terão de se posicionar antes da escolha.

Não há dúvida que o fator mais importante para a qualidade de ensino é o quadro de professores e coordenadores. São eles que vão estar no dia-a-dia com a criança.

A melhor fonte para dar essas informações são pais que já tiveram filhos na escola. Apenas conversar com o orientador do colégio não adianta, porque ele está “vendendo um produto”.

Deve-se visitar o maior número possível de escolas _de preferência com a criança, que é quem vai passar boa parte de sua infância no lugar. Essas visitas vão permitir ver diferenças entre instituições.

Durante a visita, use os cinco sentidos. Tem barulho de criança? É limpa? É um lugar gostoso de ficar? Se possível, observe o lugar em horários diferentes. Como é o recreio? Quem cuida das crianças? como elas interagem entre si?

OS 12 DILEMAS DA ESCOLHA

  • Localização

DISTANTE
Às vezes as melhores escolas não estão próximas de casa. Há que se avaliar se a qualidade vale o trânsito. Há o recurso das peruas, mas elas representam um gasto a mais.

PRÓXIMA
É vantajoso escolher uma escola próxima de casa. O trânsito é estressante para as crianças e consome tempo dos pais.

  • Tipo de escola

PARTICULAR
A boa educação custa caro. Quanto mais coordenadores a escola tiver, por exemplo, melhor tende a ser sua qualidade de ensino e maior a sua mensalidade. Às vezes, a escola pública é melhor do que uma particular barata. Escolas comunitárias ou religiosas em geral oferecem bolsas ou descontos para alunos.

PÚBLICA
A maior parte das escolas públicas oferece ensino de mediano para fraco. Mas a vantagem da escola pública é que ela faz parte de um sistema que, hoje, está recebendo atenção especial do governo e da sociedade (que paga impostos). Professores estão sendo reciclados e há novos materiais. Com o dinheiro que sobra, dá para suplementar a educação.

  • Alunos por sala

MUITOS
Ter muitos estudantes na sala (na rede pública são 35) diminui a possibilidade de o professor dar uma atenção mais individualizada, especialmente em séries iniciais. Por outro lado, a diversidade de alunos enriquece o trabalho da turma. E a mensalidade tende a ser mais barata.

POUCOS
Turmas com 16 a 20 alunos favorecem o trabalho individualizado e, especialmente para os mais novos, criam um ambiente mais familiar. A partir da 5ª série, um ambiente desses, muito familiar, pode ser visto pelo jovem adolescente como “opressivo”.

  • Infra-estrutura

VARIADA
A boa infra-estrutura depende, entre outras coisas, da idade da criança. Evidentemente, quanto maior a infra-estrutura (biblioteca, laboratórios, quadras), melhor para o aluno. Em informática, a escola ideal tem computadores na sala de aula. Crianças criadas em apartamentos são beneficiadas por um espaço escolar amplo.

BÁSICA
Biblioteca é uma obrigação. Espaços para esportes, também. Computadores são importantes, mas não servem para nada se a escola não tiver um projeto pedagógico para sua utilização. A partir da 6ª série, quando as crianças começam a buscar uma certa individualidade, mesmo uma infra-estrutura básica deve oferecer espaços para isso.

  • Língua estrangeira

DESDE CEDO
Quanto mais jovem, mais fácil é aprender uma língua estrangeira. Mesmo aos 2 ou 3 anos de idade já dá para trabalhar uma segunda língua com brincadeiras e canções. Alguns defendem que isso atrapalha a alfabetização.

MAIS TARDE
Aos 10 anos já começa a ser mais difícil aprender uma segunda língua. Mas o problema é não sobrecarregar a criança de atividades, especialmente quando a escola é em um turno.

  • Disciplina

RÍGIDA
Limites claramente definidos, impostos pela escola (como ter de usar uniforme e não poder chegar atrasado à aula) podem ajudar o aluno a se organizar. Mas não vale a pena buscar na escola a autoridade que não se tem em casa.

CENTRADA NO ALUNO
Há colégios em que a ênfase na responsabilidade individual é muito maior do que a imposição de regras da própria instituição. As normas de convivência e disciplina tendem a ser estabelecidas em comum acordo com os alunos.

  • Religião

RELIGIOSA
Se a religião é um valor importante para a família, há escolas onde isso perpassa todo o currículo dos alunos.

LAICA
A maioria das escolas não oferece religião no currículo. A Constituição determina que as escolas públicas devem manter aulas de religião, embora a frequência não seja obrigatória.

  • Continuidade

ESCOLAS DIFERENTES
Pode haver perto de casa uma escola de pré a 5ª série e outra de 6ª em diante, o que favorece a mudança. Muitas escolas que só vão até a 4ª série têm acordos para mandar alunos para outras, e assim evitar os vestibulinhos.

MESMA ESCOLA
É favorável para a criança estudar mais tempo no mesmo lugar. Nas particulares, a alfabetização começa na pré-escola e tem continuidade nas primeiras séries do 1º grau. Nessa fase não vale a pena mudar. Da 5ª para a 6ª série, a mudança é mais tranquila, mas pode implicar vestibulinho.

  • Data de fundação

TRADICIONAL

Escolas com mais idade em geral têm seu modelo pedagógico mais consolidado e professores mais experientes. Mas vale lembrar que qualquer escola tem seus altos e baixos. Escolas tradicionais em geral levam mais tempo para incorporar inovações pedagógicas.

NOVA
Escolas novas têm uma efervescência especial. Em geral os profissionais estão muitos motivados e há bastante debate pedagógico. Isso é bom para os alunos, que recebem uma atenção individualizada. Mas há o risco de ocorrerem erros ou surgirem lacunas na formação.

  • Ênfase curricular

APRENDIZAGEM
Há escolas que dão mais ênfase no desenvolvimento das capacidades de aprendizagem do aluno _ especialmente até a 5ª série. Preferem ensinar a ler, a escrever e a raciocinar, antes de enfatizar conteúdos específicos.

CONTEÚDOS
Algumas escolas priorizam desde cedo os conteúdos que as crianças têm que aprender. Por exemplo, há instituições que têm professor de ciência desde a 1ª série do 1º grau ou que introduzem língua estrangeira desde cedo.

  • Tamanho

PEQUENA
Escolas menores tendem a dar um atendimento mais individualizado para os estudantes e a serem mais acolhedoras para as crianças mais novas. Mas essas escolas podem custar mais caro, para manter a qualidade.

GRANDE
Escolas com muitos alunos têm mais público e dinheiro e por isso conseguem organizar muitas atividades extracurriculares (de teatro a robótica). Redes de escolas particulares em geral padronizam a qualidade com apostilas e treinamento para professores. Pode haver perda na atenção individualizada.

  •  Professores

NOVOS
Professores jovens em geral têm mais energia para trabalhar com crianças e mais disposição para mudar seu jeito de trabalhar diante de inovações pedagógicas. Mas exigem um acompanhamento intenso de formação em serviço.

EXPERIENTES
Ter um quadro docente de mais idade indica, a princípio, melhor formação e experiência dos professores. Mas também pode representar dificuldade de introduzir inovações. Formação contínua é obrigatória para todos.

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